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Aposentadoria

Aposentadoria por tempo de contribuição: ainda existe em 2026?

A aposentadoria só por tempo de contribuição acabou na reforma. Veja quem ainda pode usá-la pelas regras de transição em 2026 e como contar seu tempo.

Por Marcos Araújo 5 min de leitura

O que a reforma mudou

Antes de 13 de novembro de 2019, existia uma aposentadoria que dependia só do tempo de contribuição: 30 anos para mulheres, 35 para homens, sem nenhuma idade mínima. Muita gente se aposentava aos 50 e poucos anos.

A EC 103/2019 extinguiu essa modalidade. Hoje, toda aposentadoria exige idade mínima ou pontuação — com uma única exceção, que veremos adiante.

Mas o tempo de contribuição continua sendo o eixo do sistema. Ele decide:

  • Se você pode se aposentar, e por qual regra;
  • Quanto você vai receber, porque cada ano acima do mínimo soma 2% ao benefício.

A data que separa os dois mundos é 13/11/2019. Se você já contribuía antes dela, tem direito às regras de transição. Se começou depois, só existe a regra definitiva por idade.

As regras que ainda usam tempo de contribuição

Para quem tem direito à transição, quatro regras partem de 30 anos (mulher) e 35 anos (homem) de contribuição:

RegraExige idade?Requisito em 2026
PontosNão diretamente93 pontos (M) / 103 pontos (H) — idade + contribuição
Idade mínima progressivaSim59 anos e 6 meses (M) / 64 anos e 6 meses (H)
Pedágio de 100%Sim57 anos (M) / 60 anos (H) + pedágio
Pedágio de 50%Nãotempo que faltava em 2019 + 50%

A única sem idade mínima

O pedágio de 50% é a última porta que dispensa idade. Mas ela é estreita: só alcança quem estava a 2 anos ou menos de completar 30/35 anos de contribuição em 13/11/2019.

Na prática, quase todo mundo que se encaixava já se aposentou. E há um custo: o cálculo usa o fator previdenciário, que costuma reduzir bastante o valor.

A que costuma pagar melhor

O pedágio de 100% exige idade (57/60 anos) e um pedágio equivalente a todo o tempo que faltava em 2019. Em troca, é a única regra que paga 100% da média salarial, sem o redutor de 60%.

Se você estava perto do tempo mínimo em novembro de 2019, faça essa conta antes de escolher qualquer outra regra. Ela passa despercebida com frequência.

→ As cinco regras explicadas em detalhe, com as tabelas de progressão

Como contar seu tempo de contribuição

Para cada vínculo de emprego:

  1. Data de saída menos data de entrada;
  2. Some 1 dia — o dia de admissão conta;
  3. Anote em dias.

Para contribuições próprias (GPS, carnê): cada competência paga vale um mês, desde que no valor mínimo da categoria.

Depois: some tudo e divida por 365.

As regras que mudam a conta

  • Períodos simultâneos contam uma vez só. Dois empregos ao mesmo tempo não dobram o tempo — mas as duas remunerações entram no cálculo do valor;
  • Alíquota reduzida não conta para as regras de tempo de contribuição. Quem pagou 11% ou 5% precisa complementar a diferença até 20% para aproveitar o período. Entenda os planos e códigos;
  • Tempo especial pode ser convertido em tempo comum, com fator multiplicador, para períodos até 13/11/2019. Veja como funciona;
  • Contribuições em atraso só contam depois de pagas e reconhecidas;
  • Serviço militar e serviço público podem ser averbados. Tempo em regime próprio entra por contagem recíproca, e o documento que o transporta é a CTC. Como pedir a certidão de tempo de contribuição;
  • Tempo rural pode somar ao urbano para completar o mínimo. Veja a aposentadoria híbrida;
  • Professor tem cinco anos de redução em todas as regras. Veja os requisitos do magistério.

Sua conta só vale se o CNIS estiver correto. O INSS não conta período que não esteja registrado ou que esteja com pendência. Antes de qualquer cálculo, confira seu extrato e resolva os indicadores.

Quanto você vai receber

O cálculo é o mesmo em todas as regras, com exceção dos pedágios:

  1. Média de todos os salários desde julho de 1994, corrigidos;
  2. 60% dessa média;
  3. Mais 2% por ano de contribuição acima de 20 anos (homem) ou 15 anos (mulher).

Um homem com 35 anos de contribuição recebe 60% + 30% = 90% da média. Com 40 anos, chega a 100%.

Limites em 2026: R$ 1.621,00 e R$ 8.475,55 (Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 09/01/2026).

Por isso a pressa costuma sair cara. Sair com o tempo mínimo significa receber perto do piso da fórmula, pelo resto da vida. Vale simular o valor daqui a um, dois e três anos antes de decidir.

→ Como simular e comparar cenários

Se você entrou depois da reforma

Não existe transição para você. O caminho é a regra definitiva:

MulherHomem
Idade62 anos65 anos
Contribuição15 anos20 anos

Repare que o tempo exigido é bem menor — o que a reforma fez foi trocar tempo por idade.

→ Aposentadoria por idade: requisitos e cálculo

Cuidados

  • Simular e pedir é gratuito no Meu INSS ou pelo 135;
  • Confira o CNIS antes. Tempo não registrado é uma das causas mais comuns de negativa;
  • Compare as regras, não só as datas — a que libera primeiro raramente é a que paga melhor;
  • Nenhum site garante aposentadoria. Quem promete concessão está vendendo o que não pode entregar.

Perguntas frequentes

Dúvidas frequentes sobre aposentadoria.

Ainda dá para se aposentar só por tempo de contribuição?
Sem nenhum requisito de idade ou pontuação, não. A EC 103/2019 extinguiu essa modalidade. Restam as regras de transição, e entre elas a de pedágio de 50% é a única sem idade mínima — mas ela só alcança quem estava a 2 anos ou menos do tempo mínimo em 13/11/2019.
Quanto tempo de contribuição preciso ter?
Nas regras de transição, 30 anos para mulheres e 35 anos para homens. Na regra definitiva por idade, o exigido cai para 15 anos (mulher) e 20 anos (homem), mas aí entra a idade mínima de 62 e 65 anos.
Comecei a contribuir depois de novembro de 2019. Tenho alguma transição?
Não. As regras de transição são exclusivas de quem já era filiado ao INSS antes de 13/11/2019. Para quem entrou depois, existe apenas a regra definitiva: 62 anos para mulheres, 65 para homens.
Períodos em que trabalhei em dois empregos contam em dobro?
Não. Para tempo de contribuição, o período simultâneo conta uma vez só. As duas remunerações entram no cálculo do valor do benefício, mas o tempo não é somado duas vezes.
Tempo de serviço militar e de serviço público contam?
Podem contar, por meio de averbação. O tempo em regime próprio (servidor público) entra por contagem recíproca, com certidão de tempo de contribuição. O serviço militar também pode ser averbado.