Aposentadoria pelo INSS: tipos, regras de 2026 e como funciona
Os tipos de aposentadoria
Depois da Reforma da Previdência (EC 103/2019), o INSS trabalha com quatro modalidades:
| Tipo | Para quem |
|---|---|
| Por idade | Quem atingiu a idade mínima com o tempo mínimo de contribuição |
| Por tempo de contribuição | Apenas pelas regras de transição, para quem já contribuía antes de 13/11/2019 |
| Especial | Quem trabalhou exposto a agente nocivo à saúde |
| Por incapacidade permanente | Quem ficou permanentemente incapaz para o trabalho (a antiga “por invalidez”) |
A data que divide tudo é 13 de novembro de 2019. Quem já contribuía antes dela tem direito às regras de transição, que permitem se aposentar mais cedo. Quem começou depois só tem a regra definitiva. Não existe escolha: é a data da sua primeira contribuição que define.
As regras de 2026
Quem tem direito às transições pode escolher entre cinco regras e se aposenta pela primeira que conseguir cumprir. O INSS deve conceder pela mais vantajosa.
Os números que valem neste ano:
| Regra | Mulher | Homem |
|---|---|---|
| Definitiva | 62 anos + 15 de contribuição | 65 anos + 20 de contribuição |
| Idade mínima progressiva | 59 anos e 6 meses + 30 de contribuição | 64 anos e 6 meses + 35 de contribuição |
| Pontos (idade + contribuição) | 93 pontos + 30 de contribuição | 103 pontos + 35 de contribuição |
| Pedágio de 100% | 57 anos + pedágio | 60 anos + pedágio |
| Pedágio de 50% | tempo faltante + 50% | tempo faltante + 50% |
→ As cinco regras explicadas em detalhe, com as tabelas de progressão até 2033
Cinco categorias têm regra própria
Antes de usar a tabela acima, veja se você se encaixa em algum destes casos. Todos exigem menos que a regra geral, e valem em todas as transições:
| Se você | A regra é outra |
|---|---|
| Deu aula na educação básica | Professor: cinco anos a menos |
| Tem deficiência | Tempo reduzido conforme o grau, de 20 a 33 anos |
| Trabalhou no campo em economia familiar | Rural: 55 e 60 anos, sem precisar ter contribuído |
| Trabalhou no campo e na cidade | Híbrida: os dois tempos somam |
| Se expôs a agente nocivo | Especial: 15, 20 ou 25 anos de exposição |
Na especial, quem decide é o PPP, não a profissão. Não existe lista de carreiras com direito automático — vigilante, enfermeiro e frentista só se aposentam antes se o documento comprovar a exposição.
→ O que vale e o que não vale por profissão
Quanto você vai receber
O valor não depende da regra escolhida (com exceção dos pedágios). A fórmula é:
- O INSS calcula a média de todos os seus salários desde julho de 1994, corrigidos pela inflação;
- Você recebe 60% dessa média;
- Some 2% por ano de contribuição acima de 20 anos (homem) ou 15 anos (mulher).
Um homem com 30 anos de contribuição recebe 60% + 20% = 80% da média. Para chegar aos 100%, precisaria de 40 anos.
Os limites em 2026: R$ 1.621,00 (salário mínimo) e R$ 8.475,55 (teto), conforme a Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 09/01/2026.
Por isso pressa costuma custar caro. Cada ano a mais soma 2% permanentes, pelo resto da vida. A regra que permite aposentar primeiro raramente é a que paga melhor — a única exceção é o pedágio de 100%, que paga 100% da média sem redutor.
→ O cálculo passo a passo, com exemplos
Por onde começar
A ordem importa. Fazer na sequência errada é a causa mais comum de benefício negado.
1. Confira seu CNIS. É o extrato de todos os seus vínculos e contribuições, e ele quase nunca está completo. Vínculo antigo sem data de saída, contribuição de autônomo que não entrou, período com pendência — o INSS não conta nada disso.
→ Como consultar o CNIS → O que significam os indicadores e como corrigir
2. Só então simule. O simulador do Meu INSS só enxerga o que está no CNIS. Extrato furado gera simulação furada — e muita gente desiste achando que falta muito mais do que falta.
→ Como usar o simulador e calcular seu tempo na mão
3. Compare as regras, não só as datas. Simule o valor em cenários diferentes: hoje, daqui a um ano, daqui a três.
4. Se faltar pouco, continue contribuindo. Autônomos e facultativos pagam pela GPS — mas atenção ao plano escolhido, porque o simplificado limita a aposentadoria a um salário mínimo.
→ Como gerar e pagar a GPS → Tabela de códigos de pagamento
5. Se o CNIS vier vazio, ainda há caminho. Trabalho sem registro pode ser reconhecido com prova, e quem tem 65 anos e baixa renda pode receber o BPC sem nunca ter contribuído.
→ Quem nunca contribuiu tem direito a aposentadoria?
Depois de concedida
Duas dúvidas aparecem sempre, e as duas têm resposta contraintuitiva:
Posso continuar trabalhando? Pode, e continua obrigado a contribuir — mas essas contribuições não aumentam o seu benefício. A desaposentação é inconstitucional desde 2016. Na prática, adiar o pedido costuma render mais que se aposentar cedo e seguir trabalhando.
→ Aposentado que trabalha: o que muda
Dá para revisar pela vida toda? Não para novos pedidos. O STF encerrou a tese, e é importante saber disso antes de contratar alguém que a ofereça.
→ Revisão da vida toda: a situação hoje
Se o pedido for negado
Benefício negado raramente significa “você não tem direito”. Na maioria das vezes o problema é documental: período não reconhecido, CNIS com pendência, documento faltando.
O comunicado de decisão no Meu INSS traz o motivo exato, e a partir dele você tem 30 dias para recurso administrativo — gratuito e sem advogado obrigatório.
→ Aposentadoria negada: motivos comuns, recurso e quando é melhor fazer novo pedido
Cuidados
- Todo o processo é gratuito no Meu INSS ou pelo telefone 135 — simulação, requerimento, recurso;
- Nenhum site garante aposentadoria. Quem promete concessão ou “liberação rápida” está vendendo o que não pode entregar;
- Corrija o CNIS antes de pedir. Depois de concedido, mudar a regra do benefício exige processo de revisão, que demora;
- Nunca informe sua senha gov.br a terceiros, inclusive a quem se ofereça para simular por você.