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Como pagar INSS atrasado: prazos, juros e o limite dos 5 anos

Resumo: dá para pagar INSS atrasado, mas as regras mudam radicalmente conforme a sua categoria. O facultativo só pode pagar os últimos 6 meses. O contribuinte individual pode recuperar até 5 anos de forma direta, e períodos mais antigos só por indenização, comprovando que exercia atividade na época. O cálculo sai do SAL, no site da Receita Federal, com juros Selic e multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%.
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A regra muda conforme a sua categoria

Esta é a primeira coisa a entender, e ela determina tudo o mais:

CategoriaPode pagar atrasado?Limite
Contribuinte individual (autônomo)Sim5 anos direto; além disso, só por indenização
FacultativoSim, com restriçãoApenas os últimos 6 meses
MEISimPelo DAS em atraso, no portal do Simples Nacional
Empregado CLTNão se aplicaA responsabilidade do recolhimento é da empresa

A lógica por trás da diferença: o contribuinte individual exerce atividade remunerada, então é possível comprovar que ele trabalhava naquele período. O facultativo, por definição, não exerce atividade — não há nada a comprovar, e por isso a lei restringe o prazo a 6 meses.

Facultativo: o limite de 6 meses

Se você contribui como facultativo (dona de casa, estudante, desempregado), pode recolher em atraso apenas os últimos 6 meses, e ainda assim sob duas condições:

Passado esse prazo, o período está perdido. Não existe indenização para facultativo.

É por isso que interromper contribuições como facultativo é arriscado. Diferente do autônomo, você não tem como voltar atrás depois.

Contribuinte individual: até 5 anos, e depois

Dentro de 5 anos: você gera a guia diretamente pelo SAL e paga. É o caminho simples.

Acima de 5 anos: entra a decadência. O período não pode mais ser recolhido de forma comum — é preciso pedir indenização ao INSS, e aí muda tudo:

Comprovar atividade de 15 anos atrás é o gargalo real. Sem documento da época, o pedido não avança. Se você pretende recuperar períodos antigos, comece a reunir provas antes de qualquer coisa.

Como calcular e gerar a guia

O cálculo é feito no SAL — Sistema de Acréscimos Legais, no site da Receita Federal. É gratuito.

  1. Acesse o SAL e escolha a opção de recolhimento em atraso;
  2. Informe NIT/PIS/PASEP, a categoria e o código de pagamento correto;
  3. Informe a competência (mês e ano) e o salário de contribuição;
  4. O sistema calcula o valor com os acréscimos e emite a guia;
  5. Pague em banco, lotérica ou aplicativo.

Os acréscimos são:

Escolher o código errado é o erro mais comum e gera pendência no seu extrato. Confira antes:

Tabela completa de códigos de pagamento da GPSComo gerar e pagar a GPS

A pegadinha da carência

Aqui está o detalhe que faz muita gente pagar atrasado e não conseguir o benefício.

Tempo de contribuição e carência são coisas diferentes:

Na prática: se você quer usar contribuições atrasadas para conseguir um auxílio por incapacidade (que exige 12 meses de carência) ou um salário-maternidade, pagar o atrasado sozinho pode não resolver.

Para aposentadoria por tempo de contribuição, em que o que importa é o tempo, o pagamento atrasado é bem mais eficaz.

Como contar seu tempo de contribuição

Vale a pena?

Não existe resposta única. Vale fazer três perguntas:

1. Qual é o objetivo? Completar tempo para aposentadoria é o caso em que mais compensa. Recuperar qualidade de segurado para um benefício com carência costuma decepcionar, pela regra acima.

2. Quanto custa contra quanto rende? Cinco anos de atraso no plano de 20% sobre o teto passam de R$ 100 mil. Compare com o ganho real no valor do benefício.

3. Contribuir daqui para frente não resolve melhor? Muitas vezes sim — sem juros, sem multa e sem discussão com o INSS.

Confira o CNIS antes de pagar qualquer coisa. É comum a pessoa achar que deve um período que, na verdade, já está registrado — ou descobrir que o problema não é falta de pagamento, e sim uma pendência que se resolve de graça. Veja como consultar e como corrigir indicadores.

Depois de pagar

  1. Guarde o comprovante. Ele é a sua prova se o recolhimento não aparecer no extrato;
  2. Confira o CNIS depois de algumas semanas. O pagamento deve aparecer na competência correta;
  3. Se não aparecer, abra um pedido de acerto no Meu INSS anexando o comprovante.

Cuidados

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Perguntas frequentes

Facultativo pode pagar INSS atrasado?
Só os últimos 6 meses, e desde que não tenha perdido a qualidade de segurado e a primeira contribuição já tenha sido paga em dia. Como o facultativo não exerce atividade remunerada, não há como comprovar trabalho em períodos antigos.
Até quando o autônomo pode pagar em atraso?
Até 5 anos de forma direta, gerando a guia pelo SAL. Períodos além disso exigem pedido de indenização ao INSS, com comprovação de que você exercia a atividade naquele tempo.
Contribuição paga em atraso conta para carência?
Para tempo de contribuição, sim. Para carência, há restrição: contribuições em atraso do contribuinte individual só contam para carência a partir do primeiro recolhimento sem atraso. É por isso que pagar atrasado nem sempre resolve para benefícios que exigem carência.
Como calculo o valor com juros e multa?
Use o SAL (Sistema de Acréscimos Legais), no site da Receita Federal. Ele aplica automaticamente os juros Selic acumulados e a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e gera a guia já com o valor correto.
Vale a pena pagar atrasado?
Depende do objetivo. Se faltam poucos meses para completar um requisito, costuma valer. Se são anos antigos e caros, compare o custo com o ganho real no benefício — às vezes contribuir daqui para frente rende mais.

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