Atestado médico para o INSS: o que ele precisa ter para não ser negado
O erro que derruba a maioria dos pedidos
É comum a pessoa sair da perícia inconformada: “mas eu levei atestado do médico”.
O problema é que a perícia não avalia a doença. Ela avalia a incapacidade para o seu trabalho.
São coisas diferentes. Uma tendinite no ombro pode ser incapacitante para um pintor e não ser para um recepcionista. O mesmo CID, o mesmo laudo, resultados opostos — e corretamente.
Um atestado que só diz o diagnóstico não responde à pergunta que a perícia faz. Ele prova que você está doente. Não prova que você está impedido de trabalhar.
→ Como funciona a perícia e o que esperar
O que o documento precisa conter
Peça ao seu médico que o atestado ou relatório traga:
1. Identificação completa — seu nome e, preferencialmente, CPF.
2. Data — recente. Documento antigo descreve um estado que já passou.
3. Diagnóstico com CID — o médico só informa o código com sua autorização. Para o INSS, autorize: sem o CID a análise fica prejudicada.
4. A limitação funcional — a parte mais importante. O que a condição impede, em termos concretos:
“Paciente apresenta limitação para elevação do membro superior direito acima da linha dos ombros, impossibilitando esforço repetitivo e sustentação de peso acima de 5 kg.”
Isso é muito mais forte que “paciente portador de tendinite”.
5. Tempo estimado de afastamento — em dias ou meses. É o que orienta a data de cessação do benefício.
6. Tratamento em curso — medicações, fisioterapia, cirurgia agendada. Mostra que o quadro está sendo tratado e ainda não se resolveu.
7. Identificação legível do médico — nome, assinatura e número de registro no conselho, com carimbo. Documento sem isso é frágil.
O que levar além do atestado
Leve originais de tudo:
- Exames de imagem e seus laudos;
- Relatórios de especialistas;
- Receitas e comprovantes de medicação contínua;
- Comprovantes de fisioterapia, sessões, internações;
- Atestados anteriores — eles mostram há quanto tempo o problema existe;
- Documento de identidade com foto e CPF;
- Carteira de trabalho ou documento que mostre qual é a sua atividade.
Descreva sua função ao perito. Ele precisa saber o que você faz para julgar se você consegue fazer. Não diga apenas “sou auxiliar”; diga o que a rotina exige do corpo — quanto peso, quantas horas em pé, que movimentos se repetem.
Erros comuns que custam o benefício
Atestado genérico. “Necessita de 30 dias de afastamento” sem dizer por quê e do quê.
Só o CID, sem descrição. O código nomeia a doença; ele não descreve o seu caso.
Documento ilegível ou sem identificação do profissional.
Levar cópia sem o original.
Não mencionar a atividade. O perito não adivinha o que você faz.
Minimizar os sintomas na perícia. Muita gente, por educação ou constrangimento, responde “estou melhorzinho”. Descreva o pior dia, não o melhor.
Faltar à perícia. Falta sem justificativa arquiva o pedido.
Atestado do INSS x atestado do trabalho
São usos distintos do mesmo tipo de documento:
Para o empregador, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos por ele. O atestado justifica a ausência.
Para o INSS, a partir do 16º dia o benefício é requerido — e aí entra a análise pericial.
Para trabalhador autônomo, MEI ou facultativo não existem os 15 dias do empregador: o benefício conta desde o início da incapacidade, se requerido no prazo.
→ Auxílio por incapacidade: como pedir
Se foi negado mesmo assim
Negativa não é o fim, e o motivo importa:
Negado por “não constatada incapacidade” — é o caso clássico do atestado que descrevia só o diagnóstico. Peça ao médico um relatório novo, agora com a limitação funcional descrita, e recorra.
Você tem 30 dias para recurso administrativo, gratuito, pelo Meu INSS.
→ O que fazer quando o INSS nega → Como cumprir exigência
Se a incapacidade for parcial e permanente, o caminho pode ser outro — reabilitação profissional em vez de aposentadoria.
Cuidados
- Peça o relatório com antecedência. Consulta marcada em cima da perícia costuma dar errado;
- Autorize o CID. É seu direito recusar, mas para o INSS ele ajuda;
- Guarde cópia de tudo que entregar;
- Nunca apresente documento adulterado — é crime e cancela o benefício;
- Perícia e recurso são gratuitos. Nenhum intermediário é necessário.
Perguntas frequentes
O que o atestado médico para o INSS precisa ter?
Por que meu pedido foi negado se eu tenho atestado?
O CID é obrigatório?
Posso levar exames?
Atestado antigo serve?
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