Pular para o conteúdo
Portal independente · sem vínculo com o Governo Federal
Guia Previdência Social

Ex.: aposentadoria, calendário, BPC, auxílio-doença

Precisa de ajuda? Ligue 135 — gratuito
Guia Previdência Social
Canais oficiais do INSS

Telefone 135 — gratuito, de segunda a sábado
gov.br/inss

Pensão por morte

Ex-cônjuge tem direito a pensão por morte? Depende da dependência econômica

Divorciado ou separado pode receber pensão por morte se comprovar dependência econômica. Veja quando cabe, como provar e como fica a divisão.

Por Marcos Araújo 4 min de leitura

O direito existe, a prova é que muda

Cônjuge e companheiro têm dependência econômica presumida: não precisam provar nada além do vínculo.

O ex-cônjuge, não. Para quem se divorciou ou se separou, a dependência precisa ser demonstrada — e é aí que a maioria dos pedidos se decide.

O que se analisa é a situação na data do óbito, não a de quando o casamento acabou.

O caminho mais direto: pensão alimentícia

Quem recebia alimentos do falecido tem a prova mais forte que existe.

O que apresentar:

  • Sentença ou acordo homologado que fixou os alimentos;
  • Comprovantes de recebimento — extratos, holerite do falecido com o desconto, recibos;
  • Prova de que os pagamentos continuavam até o óbito.

Havendo alimentos vigentes, a dependência é reconhecida com relativa facilidade.

Sem alimentos formais

Aqui o pedido é mais difícil, mas não impossível. É preciso demonstrar que a ajuda financeira existia de fato:

  • Transferências bancárias regulares do falecido para você;
  • Contas pagas por ele — aluguel, plano de saúde, escola dos filhos, financiamento;
  • Você como dependente no imposto de renda dele ou no plano de saúde;
  • Correspondências e declarações de terceiros;
  • Testemunhas, complementando os documentos.

Se você renunciou aos alimentos no divórcio, isso dificulta mas não encerra o assunto. O que importa é a situação na data do óbito: se a ajuda voltou a existir, ou nunca deixou de existir na prática, há o que demonstrar. Reúna os extratos.

Testemunha sozinha não basta — ela complementa o documento, não o substitui.

Como fica a divisão

A pensão é rateada em cotas iguais entre os dependentes da mesma classe.

Exemplo: falecido deixa a esposa atual, uma ex-esposa com direito reconhecido e um filho de 15 anos. A pensão é dividida em três cotas iguais.

Quando um dependente perde o direito — o filho completa 21 anos, por exemplo — a cota dele é extinta e, em regra, não é redistribuída aos demais.

O valor total segue a regra geral: 50% mais 10% por dependente, até 100%.

→ Quanto tempo dura a pensão por morte → Quem são os dependentes do INSS

As mesmas condições valem

Ser ex-cônjuge não muda os requisitos gerais:

  • 2 anos de casamento ou união estável, e 18 contribuições do falecido, para a duração pela tabela de idade. Faltando alguma, a pensão dura 4 meses;
  • A tabela por idade considera a sua idade na data do óbito;
  • O prazo para pedir é de 90 dias para retroagir ao óbito — depois, vale só da data do requerimento.

→ Quem tem direito à pensão por morte

Se havia união estável depois do divórcio

Situação comum: o casal se divorciou no papel mas continuou junto, ou reatou.

Nesse caso o pedido não é de ex-cônjuge — é de companheiro, e a prova é a da união estável.

→ Como comprovar união estável no INSS

Como pedir

  1. Reúna a prova da dependência econômica — é a parte que leva tempo;

  2. Separe a certidão de óbito, a de casamento com averbação do divórcio e seus documentos;

  3. Entre no Meu INSS e requeira a pensão por morte;

    → Como acessar o Meu INSS

  4. Anexe tudo e guarde o protocolo;

  5. Acompanhe e responda a exigências no prazo.

    → O que é exigência e como cumprir

Se já houver pensão concedida a outro dependente, o seu pedido é de habilitação: você entra no rateio, e o pagamento aos demais é recalculado a partir da sua habilitação.

O rol de dependentes e a exigência de comprovação de dependência econômica para quem não tem presunção legal estão na Lei nº 8.213/1991. Este é um tema com discussão relevante nos tribunais, e decisões judiciais têm ampliado hipóteses de reconhecimento.

Cuidados

  • Peça no prazo. Passados 90 dias, você perde os meses entre o óbito e o pedido;
  • Reúna extratos bancários agora. Bancos limitam o período de consulta, e a prova some com o tempo;
  • Não conte apenas com testemunhas — o INSS exige início de prova material;
  • É um tema com bastante discussão judicial. Negado na via administrativa, avalie o recurso;
  • Todo o processo é gratuito no Meu INSS ou pelo 135.

Perguntas frequentes

Dúvidas frequentes sobre pensão por morte.

Ex-cônjuge tem direito a pensão por morte?
Tem, se comprovar dependência econômica em relação ao falecido na data do óbito. Quem recebia pensão alimentícia tem o caminho mais direto; sem alimentos, é preciso provar a ajuda financeira por outros meios.
E se eu abri mão dos alimentos no divórcio?
Ainda pode caber, se houver prova de que a dependência voltou a existir ou de que a ajuda financeira continuava na prática. A renúncia dificulta, mas não é obstáculo absoluto — o que vale é a situação na data do óbito.
Como fica a divisão com a atual esposa?
A pensão é rateada em cotas iguais entre todos os dependentes da mesma classe. Ex-cônjuge e cônjuge atual dividem em partes iguais, junto com filhos menores de 21 anos, se houver.
A duração é a mesma?
Sim. Vale a tabela por idade na data do óbito, e as mesmas condições — 2 anos de união e 18 contribuições do falecido — se aplicam.
Preciso não ter casado de novo?
Novo casamento não impede nem encerra a pensão por morte no INSS. O que se analisa é a dependência econômica em relação ao falecido.