O documento que quase ninguém abre
Concedido o benefício, o dinheiro começa a cair e o assunto parece encerrado. A carta de concessão fica lá, não lida.
Só que é nela que está a conta. Ela mostra como o INSS chegou ao valor que você vai receber pelo resto da vida — e se ele usou os dados certos.
O que ela traz
| Resultado | concedido ou indeferido |
| Espécie | o código do benefício: B41, B31, B91… |
| Data de início (DIB) | a partir de quando ele é devido |
| Renda mensal inicial | o valor no momento da concessão |
| Memória de cálculo | a conta que produziu esse valor |
| Banco pagador | onde e quando você recebe |
A memória de cálculo é a parte que importa. Ela lista os salários de contribuição considerados, a média apurada e o percentual aplicado sobre ela.
→ Como o valor da aposentadoria é calculado
Como emitir
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Entre no Meu INSS com a conta gov.br;
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Em “Do que você precisa?”, digite carta de concessão;
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Selecione o benefício e baixe o PDF.
Sai na hora, de graça, sem ir a agência. Também dá pelo 135.
→ O que dá para resolver pelo telefone 135
O que conferir, linha por linha
Vale meia hora do seu tempo. Quatro coisas:
1. A espécie. Ela define direitos que vêm junto. Se o seu afastamento teve origem no trabalho e veio como B31 em vez de B91, você está perdendo 12 meses de estabilidade no emprego e o FGTS do período.
→ B31, B91, B41: o que significam os códigos
2. Os salários de contribuição usados. Compare com o seu CNIS. Período que ficou de fora, ou entrou com valor menor, derruba a média — e a média define o benefício para sempre.
→ Como consultar o CNIS → Salário errado ou zerado no CNIS
3. O tempo total reconhecido. Se você tinha 32 anos e a carta reconhece 29, algum período não foi contado. Isso muda o percentual: cada ano acima do mínimo soma 2%.
→ Como contar seu tempo de contribuição
4. A data de início. Ela determina de quando os valores são devidos, e se há atrasados a receber.
Erro na carta não se corrige sozinho. Se o INSS deixou um vínculo de fora, o valor menor vai ser pago pelo resto da vida — a menos que você peça revisão. E revisão tem prazo.
O que fazer se algo estiver errado
Se falta período ou o salário está menor, o caminho começa no CNIS: corrija lá e peça a revisão do benefício.
Se a espécie está errada, reúna a CAT e os laudos que ligam o afastamento ao trabalho e peça a revisão.
→ Acidente de trabalho: CAT e nexo
Se você discorda do cálculo, cabe recurso — julgado pelo CRPS, que é independente do INSS.
→ Como recorrer de uma decisão do INSS
Quando ela é indeferimento
Se o pedido foi negado, o documento equivalente é o comunicado de decisão, e ele traz o motivo exato da negativa.
Esse motivo decide o caminho: falta de documento pede pedido novo; discordância de interpretação pede recurso. São coisas diferentes, e escolher errado custa meses.
→ Recurso ou pedido novo? A tabela que decide → Aposentadoria negada: motivos comuns
Para que mais ela serve
Prova de renda em banco, financiamento imobiliário e locação.
Comprovação em ação judicial, previdenciária ou não.
Base para revisão — sem a memória de cálculo, ninguém consegue avaliar se cabe revisar.
Conferência do 13º e do reajuste, comparando com o extrato de pagamento.
→ Extrato de pagamento: como ler os descontos
Cuidados
- Emitir é gratuito no Meu INSS ou pelo 135. Nenhum site precisa cobrar;
- Baixe e guarde o PDF assim que o benefício for concedido;
- Confira antes de aceitar o valor como certo. É a única chance de pegar erro cedo;
- Não entregue a carta a intermediários que ofereçam “revisão garantida” — ela contém todos os seus dados previdenciários;
- Revisão tem prazo. Descobrir o erro dez anos depois limita o que dá para recuperar.